sexta-feira, 18 de março de 2011


O SEU, O MEU, O NOSSO LAGO


Em teu leito corre solto

Águas livres nas veias do meu peito

Agredido, magoado, açoitado

Pelos homens, pelas máquinas

Facas, facões, venenos pesticidas


Óleo que vaza pelos esgotos

Do ralo aberto com as verbas

Prontas para te salvar

Curso desviado rumo às fazendas

De lama, de Bubalinos

Na sombra, no escuro, nos buracos

Agonizam teus peixes e o teu verde

Fauna, flora, jogamos fora

O alimento, a beleza, a majestade

Do todo resta somente a metade

Que não podemos, nem sabemos

Se vale preservar ou condenar,


Se os teus filhos não te escutam

Olhos famintos te devoram

Sem dó, nem piedade

O que será do teu amanhã

Assim, assado, quase o resto

Lindo foi te conhecer

Assim, um espelho d’água

Azul virado par o céu

Que vive e ainda te deixa viver.


* Texto: Luiz Morais - Fotos: Cleinaldo (Bil) Lopes
www.vianensidade.com

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